Vasectomia não aumenta o risco de câncer de próstata?

Homens que consideram uma vasectomia não devem se preocupar que o procedimento aumentará o risco de câncer de próstata, dizem os pesquisadores.

Em uma revisão da pesquisa passada, eles encontraram um ligeiro aumento no risco de câncer de próstata entre os homens submetidos a vasectomia, mas o autor principal do estudo disse que o achado pode ser devido a outros fatores e não deve ser uma preocupação.

Os dados do final da década de 1980 sugeriram uma ligação entre a vasectomia e câncer de próstata subsequente. Havia alguma preocupação com a qualidade dessa pesquisa. Estudos mais recentes também produziram resultados mistos. “Foi realizado uma pesquisa para sintetizar tudo e fazer uma meta-análise para obter uma resposta unificada”.

Para a revisão, os pesquisadores analisaram a literatura médica e encontraram 53 estudos que examinaram a ligação entre a vasectomia e o risco de câncer de próstata.

No geral, os dados não sugeriram uma ligação entre a vasectomia e o câncer de próstata.

Os dados sugeriram que poderia haver um risco aumentado de câncer de próstata de 0,6 por cento devido à vasectomia, o que significaria que cerca de 0,5 por cento de todos os cânceres de próstata podem ser devidos ao procedimento.

Mas esse pequeno aumento não seria clinicamente significativo e não deveria dizer respeito a um homem que esteja considerando o procedimento de vasectomia. O aumento é tão pequeno que outros fatores não medidos e desconhecidos poderiam explicá-lo como historia familiar e tabagismo entre outros.

“A vasectomia é uma opção contraceptiva econômica, altamente eficiente e altamente acessível para homens”. As preocupações com o câncer de próstata não devem impedir os homens de considerar a vasectomia como opção para o planejamento familiar.

Opinião do CBU – Centro Brasileiro de Urologia:

Este estudo foi publicado na data de 18/07/2017 em um site médico muito respeitado e confiável.

Em nossa opinião o aumento da incidência nos casos de câncer de próstata nos estudos anteriores se justificava pelo fato do paciente submetido a vasectomia ter acesso ao médico urologista e como isso o diagnóstico era feito com maior frequência neste grupo. Sendo assim não há nenhum fator causal entre a vasectomia e o câncer de próstata.

Fonte: http://www.medscape.com/

Mutações germinativas preveem letalidade do câncer de próstata

Mais evidências estão surgindo de que homens que apresentam mutações germinativas em um de três genes de reparo do DNA (BRCA1, BRCA2 e ATM) são mais propensos a morrerem de câncer de próstata. Estas alterações estão associadas ao câncer de próstata em uma idade mais jovem e de pior prognóstico e sua avaliação pode fornecer informações importantes para se determinar o melhor tratamento para estes pacientes.

Um estudo recente publicado na European Urology em maio de 2017 (Germline Mutations in ATM and BRCA1/2 Distinguish Risk for Lethal and Indolent Prostate Cancer and are Associated with Early Age at Death) revelou que a frequência das mutações foi de 6,07% entre os pacientes com câncer de próstata letal, que foi significativamente maior do que a observada nos pacientes com câncer de próstata localizado (1,44%; P = 0,0007), conforme podemos observar no quadro abaixo.

Quadro. Destino do portador de mutações nos genes BRCA1, BRCA2 e ATMna coorte geral.

  Letal Localizado Valor de P
BRCA1 0,64% 0,41% 1,00
BRCA2 3,51% 0,82% 0,013
ATM 1,92% 0,41 0,06

Portadores de mutações foram significativamente mais propensos a ter câncer de próstata avançado no período do diagnóstico e também tiveram um prognóstico pior na escala de Gleason ≥ 7 (71%) do que os não portadores (31%), P = 0,00009 , assim como níveis medianos mais elevados de PSA (antígeno prostático específico) (7,90 ng/mL) do que os não portadores (6,20 ng/mL), P = 0,048″.

Não surpreendentemente o estudo revelou que homens com alguma das três mutações germinativas também foram mais propensos a morrerem mais cedo do que os não portadores.

Apesar de mutações genéticas terem caráter hereditário, cerca de metade dos homens portadores especificamente de alguma dessas mutações germinativas não tinha história familiar de câncer de próstata. Isto sugere que o exame das mutações poderia ser oferecido a todos os homens recém-diagnosticados com câncer de próstata, pois conhecer a própria condição de portador nos ajudaria a determinar a melhor estratégia terapêutica.

Estudos sugerem que se um homem for identificado como tendo uma dessas três mutações germinativas, o tratamento mais agressivo deve ser a estratégia mais adequada.

A avaliação destes marcadores já está bem estabelecida para pacientes com câncer de mama e tem cobertura por planos de saúde, mas o mesmo não se aplica ainda para casos de câncer de próstata. Porém acreditamos que estes exames devem ser oferecidos para todos os pacientes recém diagnosticados com câncer de próstata por ser uma ferramenta importante para o orientar o melhor tipo de tratamento para cada paciente.