Mutações germinativas preveem letalidade do câncer de próstata

Mais evidências estão surgindo de que homens que apresentam mutações germinativas em um de três genes de reparo do DNA (BRCA1, BRCA2 e ATM) são mais propensos a morrerem de câncer de próstata. Estas alterações estão associadas ao câncer de próstata em uma idade mais jovem e de pior prognóstico e sua avaliação pode fornecer informações importantes para se determinar o melhor tratamento para estes pacientes.

Um estudo recente publicado na European Urology em maio de 2017 (Germline Mutations in ATM and BRCA1/2 Distinguish Risk for Lethal and Indolent Prostate Cancer and are Associated with Early Age at Death) revelou que a frequência das mutações foi de 6,07% entre os pacientes com câncer de próstata letal, que foi significativamente maior do que a observada nos pacientes com câncer de próstata localizado (1,44%; P = 0,0007), conforme podemos observar no quadro abaixo.

Quadro. Destino do portador de mutações nos genes BRCA1, BRCA2 e ATMna coorte geral.

  Letal Localizado Valor de P
BRCA1 0,64% 0,41% 1,00
BRCA2 3,51% 0,82% 0,013
ATM 1,92% 0,41 0,06

Portadores de mutações foram significativamente mais propensos a ter câncer de próstata avançado no período do diagnóstico e também tiveram um prognóstico pior na escala de Gleason ≥ 7 (71%) do que os não portadores (31%), P = 0,00009 , assim como níveis medianos mais elevados de PSA (antígeno prostático específico) (7,90 ng/mL) do que os não portadores (6,20 ng/mL), P = 0,048″.

Não surpreendentemente o estudo revelou que homens com alguma das três mutações germinativas também foram mais propensos a morrerem mais cedo do que os não portadores.

Apesar de mutações genéticas terem caráter hereditário, cerca de metade dos homens portadores especificamente de alguma dessas mutações germinativas não tinha história familiar de câncer de próstata. Isto sugere que o exame das mutações poderia ser oferecido a todos os homens recém-diagnosticados com câncer de próstata, pois conhecer a própria condição de portador nos ajudaria a determinar a melhor estratégia terapêutica.

Estudos sugerem que se um homem for identificado como tendo uma dessas três mutações germinativas, o tratamento mais agressivo deve ser a estratégia mais adequada.

A avaliação destes marcadores já está bem estabelecida para pacientes com câncer de mama e tem cobertura por planos de saúde, mas o mesmo não se aplica ainda para casos de câncer de próstata. Porém acreditamos que estes exames devem ser oferecidos para todos os pacientes recém diagnosticados com câncer de próstata por ser uma ferramenta importante para o orientar o melhor tipo de tratamento para cada paciente.